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Tempestade Kristin atrasa, mas não trava investimentos turísticos em Leiria

Homem com colete a trabalhar em obra, observando planta e segurando capacete amarelo numa obra ao ar livre.

A violência da tempestade “Kristin” não afastou os investimentos turísticos previstos para Leiria, embora os trabalhos de construção estejam a registar atrasos. “Os investidores não desistiram de acreditar em Leiria depois da tempestade e até há projetos novos que estão a surgir”, afirma Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria. Entre os projetos em evidência está o Lis Garden, o primeiro hotel de cinco estrelas no centro da cidade, junto ao percurso Polis, vocacionado para feiras e conferências e direcionado para o mercado industrial da região.

Com um investimento estimado em €15 milhões, o hotel terá 100 quartos, um centro de eventos e salas destinadas a reuniões e formação. O empreendimento ocupará 7,7 mil metros quadrados e começou a ser construído em setembro do ano passado, com abertura apontada para o verão de 2027.

“Apanhámos com as tempestades, a obra estava numa fase fantástica e tínhamos previsto ter a fase estrutural concluída em poucos meses”, relata José Frazão, proprietário dos hotéis Lis, que já contam com duas unidades em Lisboa e uma na Batalha. “Mas não abandonámos o barco, se não abrimos o hotel no verão de 2027, como previsto, possivelmente abriremos no inverno de 2027.”

Trabalhadores ocupados com as reparações das próprias casas

A escassez de mão de obra é uma das barreiras à continuação da construção. “Os trabalhadores da região de Leiria deixaram de aparecer nas obras, ficaram com as suas casas destruídas e têm de as reparar”, explica o empresário dos hotéis Lis. “E isto é uma cadeia: desde gruas a bombas de enchimento ou fornecimento de cimento, tudo atrasou. Tenho equipas a trabalhar, mas não com todos os trabalhadores, e não consigo insistir para virem quando dizem que têm as suas casas para tratar ou as de família e vizinhos. Em Leiria, muitos dos prejuízos devem-se aos atrasos que a falta de mão de obra está a provocar”, contextualiza José Frazão, também dono do Exposalão, o centro de exposições da Batalha que “foi muito afetado pelas tempestades, pois tudo o que eram painéis e obras à volta voou”.

“Continuo na frente da batalha com a tragédia em Leiria, não sou de desistir”, aponta José Frazão, proprietário dos hotéis Lis

“Estamos a fazer tudo para retomar, mas agora, a nível das empresas, precisamos de um ‘empurrão’ económico”, salienta, lamentando que os apoios do programa Compete 2030, do Ministério da Economia e do Turismo de Portugal, ainda não estejam a chegar. “Estamos a sentir na pele que não estão a tratar bem os privados após as tempestades em Leiria, a parte política tem de nos dar atenção, pois também somos filhos do país e pagamos impostos.”

“Continuo na frente da batalha com esta tragédia que se abateu sobre Leiria, não sou de desistir”, assegura o proprietário dos hotéis Lis. “Ainda não fomos apoiados pelo Turismo de Portugal para seguir em frente mais confortáveis”, desabafa.

Câmara de Leiria elogia a “resiliência” dos privados

Leiria prepara-se ainda para colocar em funcionamento, já a 1 de setembro, outro hotel de cinco estrelas, situado na freguesia de Monte Redondo. Será o primeiro empreendimento do concelho com esta classificação máxima. O Quinta Filippa resulta de investimentos privados superiores a €10 milhões realizados por Mike Schwalbach, um promotor dos Países Baixos com família na região, e pretende colocar Leiria no mapa do turismo de luxo. Implantado numa área de 40 hectares, o hotel disporá de 16 quartos e apostará num conceito de natureza e bem-estar. A inauguração, inicialmente prevista para maio, foi adiada devido à queda de árvores, que estão agora a ser replantadas.

“Gostava de fazer um elogio à resiliência dos investidores e às estruturas hoteleiras de Leiria, que, mesmo com quartos destruídos, mantiveram-se em funcionamento, a receber muitos voluntários, muitas das empresas que se deslocaram para cá a prestar apoio na reconstrução das linhas elétricas ou na reparação de telhados”, sublinha o presidente da Câmara de Leiria. O autarca recorda que “houve milhares de pessoas que estiveram dias seguidos em Leiria durante as primeiras semanas e ficaram alojadas em equipamentos turísticos”.

Gonçalo Lopes destaca que “os hotéis estão a recuperar a toda a velocidade, e muitos já estão recuperados, mas há uns que tiveram estragos de milhões de euros, outros com poucos estragos”. Com orçamento próprio, a Câmara está igualmente a executar obras para recuperar os danos provocados pela tempestade no Castelo de Leiria, o seu ex-líbris, bem como noutros locais turísticos, incluindo a praia do Pedrógão.

“O turismo continua a ser um dos sectores com enorme potencial em Leiria, onde a oferta hoteleira é ainda diminuta face à dimensão e ao crescimento populacional que temos”, conclui o autarca.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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