A Câmara de Valença já dispõe de um plano para revitalizar o centro urbano, assente na reabilitação de edifícios emblemáticos e na criação de novas centralidades.
A prevista construção de uma estação da linha de alta velocidade (TGV) Porto-Vigo em Valença deverá transformar a dinâmica desta cidade fronteiriça. Nos próximos anos, o município pretende reorganizar o centro urbano, atribuir novas utilizações a edifícios antigos e criar melhores condições para uma mobilidade sustentável.
Esta é, pelo menos, a visão de José Manuel Carpinteira, presidente da Câmara, que apresentou na sexta-feira o Masterplan - Plano Estratégico do Centro Urbano de Valença. O documento procura "criar uma nova centralidade fora da fortaleza" e expõe "uma visão de uma cidade de futuro, mais qualificada e organizada".
A futura estação do TGV não foi incluída no plano elaborado pelo gabinete de arquitetura e design Carvalho Araújo, uma vez que a sua localização definitiva ainda não está definida. A nova linha prevê estações no Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.
Localização da estação do TGV em estudo
"Neste momento, há duas localizações previstas, na freguesia de Gandra, uma mais a montante do parque industrial e outra entre o parque industrial e a Estrada Nacional 13. Não sabemos qual é que vai ser aprovada e só depois dessa localização é que perceberemos, mas vai criar ali muita dinâmica como é óbvio, quer em termos de acessibilidades, quer em termos urbanísticos", afirmou o autarca.
Para José Manuel Carpinteira, a infraestrutura "vai ser importante, porque entre o Porto, Braga e Vigo, Valença está no mapa". O presidente da Câmara manifestou ainda o desejo de que a obra seja concretizada o mais depressa possível.
"À partida, quer o Governo português, quer o espanhol, têm garantido que a estação de Valença é para fazer. Já está a derrapar, não é em 2030, como diziam, já se fala em 2033, mas o importante é iniciar a obra", comentou.
Entre as intervenções previstas no Masterplan está a reutilização de um edifício devoluto nas proximidades da atual estação ferroviária, onde deverá ser instalado um Museu Ferroviário. O plano inclui igualmente a desocupação da área atualmente destinada ao estacionamento e a construção, paralela à linha férrea, de uma estrutura de estacionamento com dois pisos.
De acordo com o autarca, o documento visa "reduzir o impacto da utilização automóvel", através da criação de "mais espaços de estacionamento, percursos pedonais e ciciáveis", bem como da constituição de "novas centralidades".
"Aproveitamos a aquisição do antigo Colégio Português [situado nas imediações da atual estação] para, a partir daí, criar uma nova centralidade. Tínhamos outros edifícios também a precisar de ser reorganizados urbanisticamente, o mercado municipal e a alfândega [antiga], e ainda a zona ribeirinha", declarou.
O presidente da Câmara prevê que a concretização das intervenções exija "muitos milhões", embora ainda "não existe esse plano financeiro". "Vamos avançar com o projeto individual de cada um dos edifícios, que foram apresentados, e só depois teremos um valor próximo do que será necessário para esses investimentos", disse.
Colégio Português e antiga alfândega com novas funções
Para José Carpinteira, a reabilitação do emblemático Antigo Colégio Português, localizado na principal avenida de Valença, constitui "é o mais prioritário". O edifício deverá acolher três valências: serviços municipais, um Fórum Intercultural e oficinas de formação.
"Vamos já avançar com um concurso para o projeto de arquitetura e a partir daí vamos ver o que vai dar, porque será um grande investimento", referiu, acrescentando que a intervenção no imóvel da antiga alfândega, junto à ponte metálica, deverá avançar mais rapidamente.
"Já temos projeto e financiamento, portanto, esse será provavelmente o que vai avançar primeiro", assinalou. O espaço passará a incluir uma incubadora criativa, áreas de acolhimento para os peregrinos de Santiago e espaços para atividades culturais, um dos quais dedicado ao projeto galaico-português "Ponte...nas Ondas!".






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