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Como as Ilhas Faroé construíram quatro túneis submarinos sob o Atlântico

Carro elétrico prateado com família a passar por túnel decorado com pinturas de natureza e casas coloridas.
Neste artigo
  1. Porque construíram as Ilhas Faroé estradas sob o oceano?
  2. Quais são os quatro túneis construídos sob o Atlântico?
  3. Como foi possível escavar túneis abaixo do fundo do mar?
  4. Porque tem um dos túneis uma rotunda submarina?
  5. Os túneis mudaram o quotidiano dos habitantes

As Ilhas Faroé revolucionaram as deslocações num arquipélago isolado através de uma das mais arrojadas obras de engenharia do Atlântico Norte. Quatro túneis submarinos perfuram a rocha sob o leito marinho e unem ilhas que, no passado, dependiam de ferries, horários restritos e condições meteorológicas imprevisíveis.

Porque construíram as Ilhas Faroé estradas sob o oceano?

Situado entre a Escócia e a Islândia, o arquipélago reúne 18 ilhas, uma geografia montanhosa e comunidades separadas por fiordes e braços de mar. Durante décadas, muitas viagens eram feitas de barco, um meio de transporte sujeito a atrasos ou cancelamentos em dias de vento intenso e mar agitado.

Os túneis submarinos tornaram possível estabelecer uma rede rodoviária contínua para residentes, serviços públicos e transporte de mercadorias. Actualmente, as quatro ligações unem sete ilhas e aproximam a maioria da população dos principais centros urbanos.

Quais são os quatro túneis construídos sob o Atlântico?

O projecto avançou por fases, a começar pela ligação entre o aeroporto e a ilha onde se encontra a capital. Cada nova travessia diminuiu a dependência dos ferries e alargou os percursos que podem ser feitos de automóvel:

  • Vágatunnilin, inaugurado em 2002, com cerca de 4,9 quilómetros;
  • Norðoyatunnilin, aberto em 2006, com aproximadamente 6,2 quilómetros;
  • Eysturoyartunnilin, inaugurado em 2020, com 11,2 quilómetros de vias;
  • Sandoyartunnilin, aberto em 2023, com cerca de 10,8 quilómetros.

Como foi possível escavar túneis abaixo do fundo do mar?

A obra recorreu a perfuração e a detonações controladas para progredir através da rocha vulcânica. Antes de iniciarem a escavação, as equipas efectuaram estudos sísmicos, sondagens geológicas e análises do terreno para detetar fracturas e eventuais infiltrações.

À medida que as galerias eram abertas, foram instalados sistemas de drenagem, ventilação, iluminação, comunicações e monitorização. Entre os recursos indispensáveis para manter estas passagens em funcionamento contam-se:

  • bombas para remover a água infiltrada;
  • saídas e zonas destinadas a situações de emergência;
  • sensores para monitorizar o trânsito;
  • equipamentos de ventilação e de combate a incêndios;
  • revestimentos que estabilizam os troços rochosos.

Porque tem um dos túneis uma rotunda submarina?

O Eysturoyartunnilin tem três acessos e liga Streymoy, onde se situa Tórshavn, a dois pontos da ilha de Eysturoy. Para repartir o trânsito entre estas direcções, os engenheiros criaram uma rotunda no interior da rede subterrânea, considerada a primeira do género num túnel rodoviário submarino.

A ligação atinge o seu ponto máximo de profundidade a 187 metros abaixo do nível do mar. Com este novo percurso, a viagem entre Tórshavn e Runavík passou de aproximadamente 64 para 16 minutos, enquanto a distância foi reduzida de 55 para 17 quilómetros.

Os túneis mudaram o quotidiano dos habitantes

O Sandoyartunnilin passou a permitir que os residentes de Sandoy se desloquem a qualquer hora, sem terem de organizar o dia em função das partidas dos ferries. A ligação simplificou também o acesso a empregos, escolas, hospitais e serviços concentrados nas ilhas mais populosas do arquipélago.

Nas Ilhas Faroé, esta infraestrutura subterrânea encurtou distâncias sem ficar dependente das condições do Atlântico Norte. Os quatro túneis demonstram como a perfuração da rocha, o planeamento rodoviário e os sistemas de segurança conseguem ligar pequenas comunidades, mesmo quando montanhas, fiordes e oceano separam os seus habitantes.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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