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Mobilidade e transporte coletivo em debate na Entre Linhas - Festa do Ferroviário

Grupo de pessoas com bicicletas a analisar mapa numa mesa na rua, com elétrico ao fundo numa zona urbana.
Neste artigo
  1. Mobilidade na Área Metropolitana do Porto
  2. Planeamento do transporte coletivo
  3. "O que se fez à Trofa não se devia ter feito"

Especialistas e dirigentes do setor defendem que os municípios devem investir no transporte coletivo, com planeamento, para garantir o funcionamento adequado dos sistemas. O debate inaugurou a Entre Linhas - Festa do Ferroviário, que decorre até este domingo no Fórum Cultural e no Parque Urbano de Ermesinde, em Valongo.

Mobilidade na Área Metropolitana do Porto

Recuperar para peões, bicicletas e transporte coletivo o espaço atualmente ocupado pelo transporte individual foi uma das ideias centrais da conferência de abertura da Entre Linhas - Festa do Ferroviário. A iniciativa decorre até hoje no Fórum Cultural e no Parque Urbano de Ermesinde, em Valongo, e pretende responder aos problemas de mobilidade da Área Metropolitana do Porto.

"Temos ruas na cidade do Porto com ligações às estações de metro em que as pessoas são obrigadas a andar em fila", exemplificou Paula Teles, responsável pelo Plano Municipal de Acessibilidade para Todos de Valongo. Na perspetiva da especialista em mobilidade urbana, é necessária coragem para recuperar a área hoje destinada ao transporte individual e reforçar a aposta no caminho de ferro.

"A mobilidade é absolutamente dominante na formação do cidadão. Ter capacidade de mobilidade é ter liberdade, é andar na rua, é encontrar-se com as outras pessoas", salientou Paula Teles. A especialista propôs semáforos que priorizem os peões, ruas de coexistência, a eliminação de lugares de estacionamento, o aumento do custo do estacionamento e a construção de ciclovias com mais de 100 metros. As ideias tiveram o apoio do presidente da Transportes Metropolitanos do Porto, Nuno Neves de Sousa, que ressalvou a necessidade prévia de planeamento.

Planeamento do transporte coletivo

"A palavra é planeamento. Na TMP, estamos a trabalhar no plano metropolitano de mobilidade urbana sustentável. Se estes planos existissem nos anos 80, hoje estaríamos noutro local", considerou, acrescentando: "Do meu ponto de vista, não é muito relevante no planeamento do território perceber se é melhor chegar primeiro o transporte ou a habitação. Tem de haver uma integração na habitação ou nos serviços", afirmou Nuno Neves de Sousa. Para o dirigente, os modos pesados devem assegurar o transporte coletivo até ao centro do Porto.

Luís Osório, presidente da STCP, sustentou que a resposta para melhorar a mobilidade não passa por acrescentar autocarros, mas por garantir a eficácia do sistema já disponível. "Não adianta pensar que por ter mais dez autocarros às cinco da tarde no centro do Porto vou resolver algum problema. Vou piorar. Tenho é de fazer com que os que existem andem melhor. Isso, sim, é uma solução", afirmou.

"O que se fez à Trofa não se devia ter feito"

A Metro do Porto está a trabalhar para lançar ainda este ano os concursos públicos relativos à nova ligação a Gondomar e ao prolongamento da Linha Verde até à Trofa, disse o presidente da empresa. Emídio Gomes criticou o processo que deixou a população trofense sem comboio e sem metro durante mais de 20 anos. "Não se diz a uma população que se lhes vai tirar o comboio e que passado dois anos terão metro e, 24 anos depois, isso não aconteceu. O Estado tem de ser uma entidade de bem e o que se fez à Trofa não se devia ter feito", afirmou Emídio Gomes, que também marcou presença na Entre Linhas.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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