Especialistas e dirigentes do setor defendem que os municípios devem investir no transporte coletivo, com planeamento, para garantir o funcionamento adequado dos sistemas. O debate inaugurou a Entre Linhas - Festa do Ferroviário, que decorre até este domingo no Fórum Cultural e no Parque Urbano de Ermesinde, em Valongo.
Mobilidade na Área Metropolitana do Porto
Recuperar para peões, bicicletas e transporte coletivo o espaço atualmente ocupado pelo transporte individual foi uma das ideias centrais da conferência de abertura da Entre Linhas - Festa do Ferroviário. A iniciativa decorre até hoje no Fórum Cultural e no Parque Urbano de Ermesinde, em Valongo, e pretende responder aos problemas de mobilidade da Área Metropolitana do Porto.
"Temos ruas na cidade do Porto com ligações às estações de metro em que as pessoas são obrigadas a andar em fila", exemplificou Paula Teles, responsável pelo Plano Municipal de Acessibilidade para Todos de Valongo. Na perspetiva da especialista em mobilidade urbana, é necessária coragem para recuperar a área hoje destinada ao transporte individual e reforçar a aposta no caminho de ferro.
"A mobilidade é absolutamente dominante na formação do cidadão. Ter capacidade de mobilidade é ter liberdade, é andar na rua, é encontrar-se com as outras pessoas", salientou Paula Teles. A especialista propôs semáforos que priorizem os peões, ruas de coexistência, a eliminação de lugares de estacionamento, o aumento do custo do estacionamento e a construção de ciclovias com mais de 100 metros. As ideias tiveram o apoio do presidente da Transportes Metropolitanos do Porto, Nuno Neves de Sousa, que ressalvou a necessidade prévia de planeamento.
Planeamento do transporte coletivo
"A palavra é planeamento. Na TMP, estamos a trabalhar no plano metropolitano de mobilidade urbana sustentável. Se estes planos existissem nos anos 80, hoje estaríamos noutro local", considerou, acrescentando: "Do meu ponto de vista, não é muito relevante no planeamento do território perceber se é melhor chegar primeiro o transporte ou a habitação. Tem de haver uma integração na habitação ou nos serviços", afirmou Nuno Neves de Sousa. Para o dirigente, os modos pesados devem assegurar o transporte coletivo até ao centro do Porto.
Luís Osório, presidente da STCP, sustentou que a resposta para melhorar a mobilidade não passa por acrescentar autocarros, mas por garantir a eficácia do sistema já disponível. "Não adianta pensar que por ter mais dez autocarros às cinco da tarde no centro do Porto vou resolver algum problema. Vou piorar. Tenho é de fazer com que os que existem andem melhor. Isso, sim, é uma solução", afirmou.
"O que se fez à Trofa não se devia ter feito"
A Metro do Porto está a trabalhar para lançar ainda este ano os concursos públicos relativos à nova ligação a Gondomar e ao prolongamento da Linha Verde até à Trofa, disse o presidente da empresa. Emídio Gomes criticou o processo que deixou a população trofense sem comboio e sem metro durante mais de 20 anos. "Não se diz a uma população que se lhes vai tirar o comboio e que passado dois anos terão metro e, 24 anos depois, isso não aconteceu. O Estado tem de ser uma entidade de bem e o que se fez à Trofa não se devia ter feito", afirmou Emídio Gomes, que também marcou presença na Entre Linhas.






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