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Variante entre a Serrinha e Canedo aproxima Castelo de Paiva da A32

Três pessoas analisam um projecto numa mesa com capacete branco ao ar livre, com estrada e paisagem rural ao fundo.
Neste artigo
  1. Pôr fim às dificuldades diárias
  2. Zona industrial será ampliada
  3. "Foi um sonho de todos os paivenses"
  4. Saber mais

O primeiro-ministro presidiu à consignação da variante que promete resolver um dos principais constrangimentos rodoviários de Castelo de Paiva.

A promessa passou por gerações, sobreviveu a vários governos e somou décadas de espera. A ligação entre Castelo de Paiva e a A32, através da variante entre a Serrinha e Canedo, deu um passo decisivo para se concretizar com a assinatura, na manhã desta segunda-feira, do auto de consignação da empreitada, no valor de 70,2 milhões de euros. O momento foi vivido com emoção pela população. Caso não surjam novos imprevistos, a obra aguardada há mais de 30 anos deverá estar concluída em 28 de dezembro de 2028.

Minutos antes da chegada do primeiro-ministro, os habitantes de Castelo de Paiva começaram a concentrar-se no local da cerimónia. Falavam da estrada como quem aguarda o término de uma caminhada demasiado longa. "Esta ligação arrastava-se há muitos anos. Nós estávamos esquecidos", lamentava Manuel Ferreira, um dos muitos paivenses que quiseram presenciar a ocasião. "Só faltava este bocadinho. Só faltava este bocadinho", insistia, acreditando que, desta vez, a promessa passou finalmente do papel à realidade.

Durante mais de três décadas, foi reclamada uma ligação rápida e segura entre Castelo de Paiva e a A32, em Canedo, que permitisse chegar ao Porto de forma mais direta. Embora uma parte significativa da variante à EN222 tenha sido construída ao longo dos anos, ficaram por executar os últimos cerca de 10 quilómetros, mantendo o concelho dependente de um percurso sinuoso e moroso.

A nova estrada fará a ligação entre o nó de Canedo, na A32, e a zona da Serrinha, em Castelo de Paiva, atravessando também os municípios de Gondomar e Santa Maria da Feira. O projeto prevê uma faixa de rodagem em cada sentido, uma via para veículos lentos em metade do traçado, seis rotundas, três viadutos e duas pontes.

"É uma obra que pedimos há 30 anos. Agora será uma realidade. Para nós, concelho de Castelo de Paiva, é para desenvolver. É muito importante", afirmava Manuel Ferreira.

"Foi o Almiro Moreira que deu este empurrão muito grande para a obra", considerou, numa referência ao deputado do PSD na Assembleia da República.

Pôr fim às dificuldades diárias

A esperança é comum a outros residentes. "Acho que é fundamental para o desenvolvimento do concelho, e não só. Castelo de Paiva também faz parte do país", defendia Aléxis Gonçalves.

Manuel Robalo, por sua vez, destacou os obstáculos enfrentados todos os dias por empresas e habitantes. "Atualmente, é difícil circular. Temos uma zona industrial, mas os camiões daqui até Canedo demoram meia hora ou mais. No futuro, daqui ao Porto, deve passar a demorar meia hora, quando precisamos de uma hora." E deixou um alerta: "Agora, a obra tem que começar, senão, o dinheiro vai para trás".

Na presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e de autarcas, o presidente da Câmara de Castelo de Paiva descreveu a assinatura do auto de consignação como um acontecimento histórico. Ricardo Cardoso declarou que a intervenção "representa a concretização de uma aspiração que atravessou gerações" e sublinhou que o sucesso efetivo será avaliado "pelas empresas que vierem, pelos empregos que forem criados" e pelos jovens que deixem de sair do concelho devido à falta de oportunidades.

Zona industrial será ampliada

O autarca revelou que o município apresentará de imediato uma candidatura para alargar a zona industrial, procurando aproveitar a melhoria das acessibilidades.

O presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, recordou igualmente que estão em causa "quase quatro décadas de luta de um povo por melhores acessibilidades". Já Paulo Carmona, presidente da Infraestruturas de Portugal, realçou que a obra permitirá eliminar "um constrangimento antigo deste território", produzindo efeitos diretos na mobilidade e na economia.

Luís Montenegro admitiu que não é possível avançar simultaneamente com todas as obras públicas, mas classificou esta intervenção como uma prioridade estratégica. "Esta é a estrada para Castelo de Paiva. Não há outra maneira de o dizer", afirmou, defendendo que a ligação será decisiva para a qualidade de vida, a captação de investimento e o desenvolvimento económico de toda a região.

"Foi um sonho de todos os paivenses"

Para o deputado do PSD Almiro Moreira, a assinatura do auto de consignação da variante à EN222 representa "um passo importante" para responder a uma reivindicação com mais de 30 anos. Natural de Castelo de Paiva, o parlamentar agradeceu ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerando que o seu empenho pessoal foi determinante para desbloquear o processo. "Sem a sua intervenção esta obra nunca teria avançado", sustentou.

Almiro Moreira recordou que a variante esteve na origem do seu percurso político, iniciado em 2011, reconhecendo que a candidatura a deputado teve também o propósito de contribuir para pressionar a concretização da intervenção. Seguro de que o projeto não enfrentará novas demoras, referiu que o financiamento está garantido pelo Orçamento do Estado e manifestou confiança de que a empreitada, cujo prazo de execução é de 900 dias, poderá mesmo ficar pronta antes da data prevista, em dezembro de 2028.

Saber mais

Três concelhos
A nova variante à EN222 unirá o nó de Canedo, na A32, à zona da Serrinha, em Castelo de Paiva, através de um percurso com cerca de 10 quilómetros pelos concelhos de Santa Maria da Feira, Gondomar e Castelo de Paiva. A obra foi adjudicada por 70,2 milhões de euros.

Seis rotundas
A infraestrutura disporá de uma via em cada sentido, faixas destinadas a veículos lentos em metade do percurso, seis rotundas, três viadutos e duas pontes.

Mais segurança
Pretende-se substituir o atual percurso sinuoso da EN222, encurtar os tempos de deslocação, reforçar a segurança rodoviária e proporcionar melhores condições para a instalação de empresas e a expansão da zona industrial de Castelo de Paiva.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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