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Como Eisenhower transformou os Estados Unidos com as autoestradas interestaduais

Homem de negócios com fato junto a mapa urbano num viaduto sobre estrada movimentada, com capacete amarelo ao lado.
Neste artigo
  1. Eisenhower copiou as autoestradas da Alemanha?
  2. O projecto teve origem antes de 1956
  3. Como foram financiadas as autoestradas interestaduais dos Estados Unidos?
  4. As interestaduais mudaram a vida americana
  5. A maior obra deixou uma herança contraditória

Uma deslocação militar, em 1919, demorou 62 dias a cruzar os Estados Unidos: os veículos ficavam presos na lama, as pontes cediam e, em certos troços, as estradas pareciam desaparecer. Anos mais tarde, Dwight Eisenhower converteria essa experiência numa rede que alteraria o país, impulsionaria a economia e colocaria o automóvel no centro do quotidiano americano.

Eisenhower copiou as autoestradas da Alemanha?

As autoestradas alemãs impressionaram Eisenhower durante e depois da Segunda Guerra Mundial. As faixas amplas, os acessos condicionados e a possibilidade de mover veículos com rapidez demonstravam o potencial das estradas modernas. Ainda assim, dizer que o presidente se limitou a reproduzir uma ideia de Hitler reduz excessivamente uma história que começara muito antes.

Em 1919, quando era tenente-coronel, Eisenhower integrou um comboio militar entre Washington e a Califórnia. A viagem durou 62 dias, marcada por lama, areia, avarias mecânicas e pontes pouco resistentes. Essa experiência evidenciou até que ponto a má qualidade das estradas restringia o comércio, a circulação civil e a própria defesa nacional.

O projecto teve origem antes de 1956

Desde a década de 1930, os Estados Unidos discutiam a criação de uma rede nacional de autoestradas. Um relatório federal, publicado em 1939, propôs corredores inter-regionais, e uma lei de 1944 permitiu a definição de até 40 mil milhas, ou cerca de 64 000 quilómetros. Faltava, contudo, um mecanismo financeiro que transformasse os planos em obras permanentes.

Eisenhower não criou sozinho as autoestradas interestaduais, mas deu-lhes o impulso político necessário para avançarem. A 29 de junho de 1956, assinou a Lei Federal de Apoio às Autoestradas, que autorizou inicialmente 41 mil milhas, cerca de 66 000 quilómetros, e deu início ao maior programa de obras públicas da história americana até então.

Como foram financiadas as autoestradas interestaduais dos Estados Unidos?

O governo federal suportava habitualmente 90% dos custos dos projectos, ficando os estados responsáveis por aproximadamente 10%. Os fundos passaram a ser geridos pelo recém-criado Fundo Fiduciário das Autoestradas, alimentado sobretudo por impostos sobre combustíveis e outros produtos associados ao transporte rodoviário.

O modelo combinava coordenação nacional com execução a cargo dos estados. Entre os factores que permitiram ampliar o projecto estavam:

  • Financiamento federal a longo prazo;
  • Normas semelhantes de engenharia e segurança;
  • Autoestradas com acessos condicionados;
  • Ligação entre capitais, portos e centros industriais;
  • Integração das estradas nos planos de defesa nacional.

As interestaduais mudaram a vida americana

A nova rede encurtou viagens, simplificou o transporte de mercadorias e aproximou centros industriais, zonas rurais e mercados de consumo. As empresas começaram a instalar fábricas e armazéns junto dos principais nós rodoviários, enquanto hotéis, restaurantes, estações de serviço e bairros suburbanos se multiplicavam nas imediações das saídas.

Mas esta expansão teve também um custo muito elevado. As autoestradas urbanas cortaram bairros estabelecidos, levaram à demolição de habitações e separaram comunidades, em especial zonas negras e de baixos rendimentos. Um relatório recente do Departamento dos Transportes calcula que a construção da rede deslocou mais de um milhão de pessoas.

A maior obra deixou uma herança contraditória

As interestaduais contribuíram para transformar os Estados Unidos numa potência logística dependente das estradas, mas também reforçaram a dependência do automóvel, estimularam uma expansão urbana dispersa e criaram barreiras em muitas cidades. O sistema concebido para unir o país acabou por ligar regiões ao mesmo tempo que dividia comunidades inteiras.

Compreender este percurso é indispensável para definir o futuro das grandes infraestruturas. As autoestradas podem dinamizar economias e reduzir distâncias, porém os seus impactos perduram durante gerações. Planear com urgência, transparência e participação pública é a única forma de impedir que a próxima obra monumental repita os custos humanos da anterior.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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