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Coimbra suspende parcialmente o PDM para habitação acessível e metrobus

Três pessoas analisam maqueta urbana colorida numa rua com autocarro moderno ao fundo em ambiente citadino.
Neste artigo
  1. Suspensão parcial do PDM de Coimbra
  2. Garantias questionadas
  3. Construção em altura e zonas inundáveis do Mondego
  4. Exigência de estacionamento desajustada

Coimbra prepara-se para avançar com a suspensão parcial do Plano Diretor Municipal (PDM), com o objetivo de impulsionar a construção de habitação acessível e alargar o metrobus. A proposta, que recebeu aprovação da Assembleia Municipal, abrange zonas estratégicas das duas margens do rio Mondego, assim como o corredor urbano do Sistema de Mobilidade do Mondego. A medida vigorará durante dois anos, podendo ser prolongada por mais um, mas tem sido contestada pela Oposição, que alerta para a especulação imobiliária.

Suspensão parcial do PDM de Coimbra

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que inicialmente tinha rejeitado a proposta, emitiu posteriormente parecer favorável. O Executivo refere que a suspensão do PDM é fundamentada quando existe "uma alteração significativa das perspetivas de desenvolvimento económico e social, que torne desajustadas as opções estabelecidas no plano em vigor". Neste processo, as alterações estão associadas à expansão em curso do Metro do Mondego e à futura ligação ferroviária de alta velocidade.

Aproveitando os projetos de transporte coletivo, a intenção passa por diversificar as utilizações urbanas nas imediações dos principais eixos de mobilidade, através de uma estratégia de densificação urbana sustentável e acessível. Para a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, o PDM atualmente em vigor tem um efeito "castrador" sobre o crescimento da cidade, sobretudo na frente ribeirinha de Santa Clara. Assim, a suspensão temporária deverá permitir criar condições para fomentar habitação acessível no concelho, incluindo mediante mecanismos de incentivo urbanístico dirigidos aos privados.

Garantias questionadas

A Assembleia Municipal aprovou a medida com 27 votos favoráveis, 9 abstenções e 5 votos contra. A Oposição chama a atenção para os riscos e para a falta de certezas quanto à concretização efetiva de habitação acessível durante a suspensão do PDM.

Ricardo Lopes, deputado municipal do PSD, questiona as garantias de prioridade dadas a esta modalidade de habitação e a percentagem que será imposta aos promotores imobiliários. Maria Paixão, do Bloco de Esquerda, alerta, por seu lado, para a possibilidade de serem criadas zonas de habitação acessível que poderão vir a ser "engolidas pela especulação imobiliária". Já João Costa, do PAN e integrante da coligação que apoia o atual Executivo, defende que a "suspensão não representa um retrocesso nem um avanço sem rede, mantendo o nível de proteção existente e ao abrir, simultaneamente, espaço para responder às necessidades reais da população".

Construção em altura e zonas inundáveis do Mondego

O Executivo assegurou que se mantêm as limitações nas áreas inundáveis pelo rio Mondego, bem como a aplicação do Plano de Gestão dos Riscos de Inundação. Na sua perspetiva, a construção em altura poderá libertar terreno ao nível do solo e favorecer uma gestão urbana mais eficaz. Ainda assim, Lúcia Santos, do partido Nós Cidadãos e integrada no movimento Somos Coimbra, manifesta preocupação quanto a "o fim do limite de pisos", previsto na suspensão do PDM, e aos impactos que poderá provocar.

Exigência de estacionamento desajustada

A suspensão parcial do Plano Diretor Municipal de Coimbra prevê também rever as exigências de estacionamento aplicáveis às atividades industriais e de armazenagem em todo o concelho. De acordo com o Executivo liderado por Ana Abrunhosa, os parâmetros em vigor estão desajustados quando comparados com os de outros municípios, levando as empresas a ocupar mais solo para estacionamento ou a transferirem-se para outro concelho. A iniciativa pretende corrigir esse desequilíbrio, aumentar a atratividade do concelho e impedir a perda de investimento e de emprego.

Neste momento

Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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