A Ponte Marechal Carmona poderá não ter a notoriedade nem o volume de circulação da Ponte 25 de Abril ou da Ponte Vasco da Gama, mas mantém um estatuto incontornável: foi a primeira ponte a atravessar o rio Tejo na região de Lisboa.
Aberta a 30 de setembro de 1951, em Vila Franca de Xira, a Ponte Marechal Carmona começou, porém, a ser pensada muito antes, durante a década de 1920.
A origem da Ponte Marechal Carmona
O primeiro pedido formal apresentado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira para erguer uma ponte sobre o Tejo remonta a 1924. A intenção era, naturalmente, estabelecer a ligação entre as duas margens do rio, uma travessia que, até então, apenas podia ser feita nos “gasolinas”, embarcações a motor que levavam passageiros, automóveis e gado.
A deslocação por barco demorava aproximadamente 15 minutos, ligando Vila Franca de Xira ao cais do Cabo, situado na margem oposta, e vice-versa. A tarifa da passagem rondava os 50 centavos de escudo. Naquele período, a ponte sobre o Tejo mais próxima de Lisboa era a Ponte D. Luís I, entre Santarém e Almeirim.
A decisão de construir esta passagem do Tejo nesta zona foi igualmente influenciada pela posição estratégica de Vila Franca de Xira, localizada entre Santarém e Lisboa e, em simultâneo, num ponto de encontro de várias estradas que asseguravam as ligações entre o norte e o sul.
Início dos trabalhos
Decorreram mais de 20 anos entre a primeira solicitação e o começo efetivo da construção, iniciado apenas em 26 de março de 1949. A empreitada foi entregue ao grupo Sociedade de Empreitadas e Trabalhos Hidráulicos, LDA. e à empresa Norman Long & Co., Ltd., que se comprometiam a terminar os trabalhos em 1000 dias, por 130 mil contos (cerca de 648 mil euros).
Naquele tempo, tratava-se da maior e mais cara obra alguma vez adjudicada pelo Estado português. O valor de 130 mil contos abrangia não só a edificação da ponte, como também todos os acessos envolventes.
A inauguração teve lugar a 30 de dezembro de 1951 e contou com a presença do general Francisco Craveiro Lopes, então Presidente da República, e de António de Oliveira Salazar, então presidente do Conselho de Ministros.
A designação escolhida constituiu uma homenagem ao Marechal Óscar Carmona, o 11.º Presidente da República Portuguesa, que tinha morrido alguns meses antes da inauguração.
Uma obra transformadora
Por ter sido a primeira ponte sobre o rio Tejo na região de Lisboa, esta infraestrutura assumiu uma relevância evidente no seu tempo, tanto para a região como para o conjunto do país.
Essa importância foi precisamente sublinhada no discurso proferido pelo General Francisco Craveiro Lopes durante a inauguração da Ponte, disponível no arquivo do Museu da Presidência da República:
A tal devemos que aqui viéssemos hoje para inaugurar a “Ponte Marechal Carmona” que, ligando as margens do Tejo, interessa não só a esta região, mas sim ao País, porque nele encurta distâncias e permite fácil circulação dos homens e sua fazenda.
General Francisco Craveiro Lopes, o 12.º Presidente da República Portuguesa
Com 1224 m de extensão total e um tabuleiro central com 524 m, a Ponte Marechal Carmona foi o principal local de travessia do rio Tejo até 1966. Foi nesse ano que se inaugurou a Ponte Salazar, posteriormente rebatizada como Ponte 25 de Abril. A partir desse momento, o tráfego na Ponte Marechal Carmona caiu para menos de metade.
Travessia gratuita sobre o Tejo
Hoje, a Ponte Marechal Carmona é atravessada diariamente por cerca de 15 mil veículos. Continua também a ser a única ponte sobre o rio Tejo, na região de Lisboa, cuja passagem é gratuita nos dois sentidos.






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