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Águeda e Guimarães: cidades portuguesas rumo a um futuro verde

Duas pessoas a plantar uma árvore numa rua de cidade com várias pessoas e viaturas ao fundo.
Neste artigo
  1. Águeda: criatividade cultural e sustentabilidade
  2. Guimarães: uma cidade histórica que lidera pelo exemplo
  3. Aprender com os residentes

O Prémio Folha Verde Europeia destina-se a vilas e cidades da UE com populações entre 20 000 e 99 999 habitantes. A distinção Capital Verde Europeia é atribuída a cidades com mais de 100 000 habitantes. Para concorrerem, as autarquias têm de cumprir as Regras do Concurso e evidenciar desempenho em sustentabilidade ambiental, social e económica. O galardão resulta de um processo de seleção rigoroso, no qual as cidades candidatas devem comprovar tanto as medidas já concretizadas como os planos definidos para reforçar ainda mais a sua sustentabilidade.

No início de janeiro, ambas as cidades realizaram cerimónias de abertura que assinalaram de forma marcante o começo do ano do título. Águeda inaugurou o seu ano como Folha Verde Europeia 2026 no Centro de Artes de Águeda. A iniciativa reuniu representantes locais, regionais, nacionais e europeus para celebrar os resultados alcançados por Águeda em matéria de sustentabilidade e as ações ambientais dinamizadas pela comunidade.

Guimarães, Capital Verde Europeia 2026, organizou igualmente a sua Cerimónia de Abertura. O encontro juntou dirigentes da UE, ministros, presidentes de câmara e residentes, reafirmando o papel essencial das cidades na transição ecológica europeia.

Distinguir cidades empenhadas em melhorar o ambiente urbano e em incentivar modos de vida mais saudáveis e sustentáveis é um passo importante. Embora a evolução tenha valor por si própria, a conquista de um prémio europeu prestigiado pode levar as cidades a ir mais longe e aumentar a sensibilização, tanto a nível local como além-fronteiras. Estes galardões proporcionam também uma plataforma para que as cidades se inspirem mutuamente e partilhem exemplos de soluções eficazes aplicadas no terreno.

Águeda: criatividade cultural e sustentabilidade

A cidade de Águeda situa-se no Norte de Portugal, no distrito de Aveiro. Dispõe de uma oferta cultural e desportiva moderna, bem como de boas acessibilidades. Em 2023, na categoria de cidades entre 20 000 e 75 000 habitantes, foi distinguida pelos LivCam Awards como o melhor município do mundo para viver. Nos últimos anos, Águeda tem atraído mais visitantes graças aos seus eventos culturais, em particular o Agit’Águeda, festival de arte urbana e música conhecido pelos milhares de guarda-chuvas coloridos suspensos pelas ruas da cidade.

A Folha Verde Europeia 2026 reconhece cidades que constituem referências na conceção e aplicação de medidas e políticas sustentáveis.

O júri do Prémio Folha Verde Europeia 2026 elogiou a estratégia abrangente de sustentabilidade de Águeda, destacando sobretudo a utilização da cultura como motor da sua transição ecológica. Orientada pelo princípio “pensar globalmente, agir localmente”, a cidade atribui grande importância ao envolvimento da comunidade nas suas ações de sustentabilidade. Residentes, empresas e organizações locais são incentivados a ponderar o impacto ambiental das atividades do quotidiano, promovendo uma responsabilidade partilhada e uma ação coletiva em prol de uma cidade mais verde.

Guimarães: uma cidade histórica que lidera pelo exemplo

Guimarães ocupa um lugar central na história de Portugal, pois foi aqui que decorreram acontecimentos decisivos para a independência do país, no século XII. Atualmente, a cidade afirma-se como um reconhecido polo cultural e de liderança ambiental, conciliando o seu legado histórico com um compromisso contemporâneo com a sustentabilidade.

A cidade já recebeu várias distinções, entre as quais a classificação do seu centro histórico bem preservado como Património Mundial da UNESCO, em 2001, Capital Europeia da Cultura em 2012, Cidade Europeia do Desporto em 2013 e o título de cidade mais sustentável de Portugal durante três anos consecutivos.

Criado em 2015, o programa municipal de educação ambiental PEGADAS tem procurado sensibilizar a população e incentivar a adoção de práticas quotidianas mais sustentáveis.

Paralelamente, Guimarães desenvolveu uma iniciativa de pegada ecológica que orienta o objetivo de longo prazo de se tornar uma cidade “Um Planeta”. Integrante da Zero Waste Europe, a cidade tem assumido uma posição pioneira a nível nacional através de medidas como o sistema PAYT (Pague Conforme Deita Fora) e o projeto RRRCICLO, que divulga os princípios da economia circular por meio da comunicação e do envolvimento comunitário.

A cidade portuguesa disputou o título de Capital Verde Europeia 2026 com Heilbronn, na Alemanha, e Klagenfurt, na Áustria, tendo sido a vencedora depois de, no ano passado, ter integrado o grupo das três cidades finalistas. Guimarães é a segunda cidade portuguesa a alcançar este título, depois de Lisboa, em 2020.

Durante o processo de seleção da Capital Verde Europeia 2026, o painel de avaliação - composto por sete especialistas independentes - salientou o forte desempenho de Guimarães em sete áreas ambientais. Entre elas estiveram a qualidade do ar, a gestão do ruído, a água, a biodiversidade e utilização do solo, os resíduos e a economia circular, além da mitigação e adaptação às alterações climáticas, reconhecendo o compromisso continuado da cidade com a sustentabilidade ambiental.

Aprender com os residentes

Para lá das políticas e dos prémios, são as pessoas destas cidades que impulsionam uma mudança real.

Para quem já se interrogou sobre como é viver numa cidade Capital Verde Europeia, o site https://environment.ec.europa.eu/ disponibiliza entrevistas com residentes dessas cidades. As pessoas são os motores da mudança e das soluções inovadoras, e as suas histórias constituem uma grande inspiração para a transição ecológica.

Águeda e Guimarães são exemplos relevantes de como a cultura, a comunidade e políticas inovadoras podem construir um futuro urbano mais verde e sustentável em toda a Europa.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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