Moradores do Largo de Mompilher e da Rua da Conceição consideram a situação insustentável e dizem não ter apoio.
Ruído permanente no centro do Porto
De dia, o sossego é interrompido pelas numerosas obras de reabilitação de edifícios; durante a noite, são os estabelecimentos de bebidas que geram ruído. Na Rua da Conceição e no Largo de Mompilher, no centro do Porto, os residentes afirmam que não conseguem descansar e sentem falta de resposta da autarquia.
O ruído das empreitadas de reconstrução é classificado como "ensurdecedor" e afecta especialmente o repouso dos moradores mais idosos, entre os quais a mãe de Ana Correia. "Tem 80 anos, está aqui todo o dia e toda a noite e não descansa; não consegue dormir nem de dia nem de noite", lamentou a residente ao JN.
"É terrorífico viver cá"
Para quem vive no Largo de Mompilher, há vários sons urbanos que se prolongam durante muitas horas. "De dia são obras, as cargas e descargas dos bares e os lixeiros, que também fazem recolhas nesse período. Durante a noite somos incomodados pelos frequentadores dos bares. Depois de fecharem os espaços de animação, por volta das 2.30 horas, temos o barulho das motas. E lá para as 3.30, 4 horas, temos três camiões do lixo diferentes que vêm fazer a recolha. Portanto. isto é assim: quanto conseguimos adormecer, depois das 4 da manhã, temos logo às 8 e tal o barulho das obras. Esta é a nossa vida...", detalhou Ana.
Na próxima Rua da Conceição, uma residente, que preferiu não revelar a identidade por recear represálias, conta que a rua deixou de ser tranquila e passou a ser um local de animação nocturna. Na sua perspectiva, os bares "é uma lástima". "É ensurdecedor, é terrível, para além da confusão que gera entre as pessoas, que às vezes andam aí em pancadaria, param aí no meio da rua durante a noite, às 3, 4 da manhã da manhã a rir, a ouvir música alta... é terrorífico viver cá", relatou.
Outra moradora descreveu a dificuldade em dormir durante a noite. "Ali na rua é complicado, não se consegue dormir toda a noite, porque o barulho não é só dos bares, é das pessoas que passam na rua, aos berros, aos gritos... Estamos em casa e uma pessoa não consegue dormir, parece que o barulho está dentro do quarto. E quando calha adormecermos um bocado, acorda-se logo com aquele barulho", afirmou.
Obras e bares afectam o descanso dos moradores
As obras perturbam sobretudo os residentes mais velhos, que, com o tempo, se habituaram ao ruído dos bares. Uma das pessoas ouvidas pelo JN referiu mesmo que já não ouvir a algazarra pode ser entendido como uma "bênção da idade".
A maior parte dos moradores contactados pelo JN recusou ser identificada, por receio de represálias, mas todos garantiram recorrer a medicação para conseguirem repousar.
Foram apresentadas várias queixas à Polícia e à Câmara, sem que tenham produzido os resultados pretendidos. A autarquia dispõe de um regulamento para a movida, com diversas restrições, entre as quais limitações à venda de álcool na rua, e lançou há dias uma campanha destinada a promover uma convivência saudável na zona de animação nocturna do centro da cidade.






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