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Pontes de raízes vivas em Meghalaya: engenharia natural na Índia

Idoso e criança atravessam ponte de troncos sobre ribeiro numa paisagem verde com outras pessoas ao fundo.
Neste artigo
  1. Como são as pontes de raízes vivas?
  2. Como são construídas as pontes de raízes vivas?
  3. Porque é que Meghalaya se tornou conhecida por estas construções?
  4. Porque podem durar tanto tempo?
  5. Como inspiram as pontes de raízes vivas a engenharia moderna?
  6. Um património natural que atravessa gerações

As pontes de raízes vivas, em Meghalaya, no nordeste da Índia, distinguem-se pela união entre a engenharia da natureza e a tradição. Estas travessias demoram décadas a ganhar forma, mas podem manter-se sólidas durante séculos.

Como são as pontes de raízes vivas?

As pontes de raízes vivas são construções formadas pelas raízes da figueira-da-borracha (Ficus elastica). Em vez de abater árvores para erguer pontes tradicionais, os habitantes orientam o desenvolvimento das raízes até estas vencerem rios e ravinas.

Trata-se de um método inteiramente natural, desenvolvido ao longo de muitos anos. À medida que as raízes engrossam, entrelaçam-se e criam uma estrutura progressivamente mais robusta, capaz de suportar diariamente a passagem de pessoas.

Como são construídas as pontes de raízes vivas?

Esta técnica requer paciência e saberes transmitidos de geração em geração. Para encaminhar as raízes jovens na direcção pretendida, as populações recorrem a troncos de bambu ocos ou a outras estruturas provisórias.

Depois de chegarem à margem oposta do rio, as raízes continuam a crescer e a consolidar-se. Ao fim de várias décadas, a ponte integra-se na própria floresta e quase não necessita de grandes intervenções de reparação.

Porque é que Meghalaya se tornou conhecida por estas construções?

O estado de Meghalaya regista alguns dos maiores volumes de precipitação do planeta. Neste contexto, os rios podem aumentar rapidamente de caudal, o que torna indispensável criar passagens extremamente resistentes.

Durante séculos, as comunidades indígenas encontraram uma resposta sustentável através dos recursos existentes na própria floresta. Actualmente, muitas destas pontes continuam a ser utilizadas e atraem visitantes de todo o mundo.

Porque podem durar tanto tempo?

Ao contrário das pontes feitas exclusivamente de madeira, que são afectadas pela elevada humidade da região, as pontes vivas mantêm o seu crescimento ao longo da existência. Por isso, tornam-se mais resistentes com o passar dos anos.

Vários elementos ajudam a explicar esta longevidade notável:

  • As raízes mantêm-se vivas e prosseguem o seu desenvolvimento.
  • O clima húmido favorece o crescimento das árvores.
  • A estrutura reforça-se naturalmente ao longo do tempo.
  • A manutenção é assegurada pela própria comunidade, que conserva a tradição.

Como inspiram as pontes de raízes vivas a engenharia moderna?

Investigadores e arquitectos estudam estas estruturas como exemplos de engenharia sustentável. Demonstram que é possível desenvolver soluções duradouras em colaboração com a natureza.

Para além do seu valor cultural, as pontes constituem um modelo de construção com reduzido impacto ambiental. A ligação entre o conhecimento tradicional e a conservação da floresta transforma estas obras num património singular da Índia. Veja imagens das pontes no vídeo divulgado pelo canal Seja Natureza:

Um património natural que atravessa gerações

A construção de uma ponte de raízes vivas exige uma perspectiva de longo prazo, pois muitas necessitam de 15 a 30 anos para alcançar as condições ideais de utilização. Em certos casos, permanecem estáveis durante vários séculos.

Muito mais do que meras passagens sobre rios, estas estruturas representam a relação entre as comunidades e a natureza. O resultado é uma obra viva que continua a desenvolver-se mesmo depois de concluída, algo invulgar em qualquer parte do mundo.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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