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Auto Talks: o automóvel na mobilidade urbana do futuro

Carro elétrico branco estacionado numa garagem com carregador e janela grande a mostrar um autocarro.
Neste artigo
  1. Os desafios para uma mobilidade melhor
  2. Car-sharing é uma oportunidade ainda por explorar
  3. Encontro marcado no próximo Auto Talks

A cidade transformou-se, expandiu-se e tornou-se mais moderna, mas mantém algo que muitos julgavam que, nesta fase, já teria desaparecido: os automóveis. Muito se tem discutido sobre os desafios da mobilidade urbana e, em praticamente todos os debates, o automóvel surge como o adversário a combater, seja através da restrição da sua entrada, seja pelo seu afastamento total.

Mas poderá o automóvel integrar a solução para as cidades do futuro, coexistindo de forma equilibrada com todas as restantes alternativas, dos transportes públicos às deslocações a pé?

Para esclarecer esta e outras questões relacionadas com a mobilidade urbana, convidámos Susana Castelo, diretora-executiva da TIS - Consultora em Transportes, Inovação e Sistemas - para o episódio mais recente do Auto Talks. Esta edição decorreu durante a 36.ª Convenção Anual da ANECRA, com o apoio do Banco Credibom.

Os desafios para uma mobilidade melhor

Apesar dos progressos registados, Susana Castelo considera que o automóvel não deve ser excluído de uma mobilidade urbana mais eficaz e eficiente. Ainda assim, salienta que existe atualmente uma “utilização excessiva” deste meio de transporte.

Para a executiva, é necessário repensar, de forma inteligente, a função do automóvel nas cidades do futuro, promovendo uma “utilização mais coerente do espaço público e uma coexistência mais pacífica entre os diversos modos”.

Na perspetiva de Susana Castelo, o principal obstáculo a esta mudança está nas políticas, uma vez que exigem decisões difíceis, abrangendo questões como o acesso ao estacionamento, os limites de velocidade e até o envelhecimento das frotas.

Quanto ao estacionamento, defende que “medidas mais exigentes são inevitáveis”, desde a implementação de estacionamento inteiramente pago nos centros urbanos até à criação de planos em que o valor a pagar varia de acordo com o número de automóveis que cada residente mantém na via pública.

Em muitas cidades portuguesas, estacionar continua a ser gratuito ou pouco dispendioso, o que faz com que o automóvel permaneça uma escolha atrativa para as deslocações. Para Susana Castelo, esta realidade torna mais difícil concretizar qualquer transformação.

O propósito não é retirar o automóvel das cidades, explica, mas sim “ganhar espaço para quem anda a pé, de bicicleta ou depende do transporte público”. Sem esta reorganização, acrescenta, será muito difícil mudar comportamentos profundamente enraizados.

Car-sharing é uma oportunidade ainda por explorar

Susana Castelo entende que o car-sharing, ou partilha de automóvel, continua a ser uma alternativa para o futuro da mobilidade, apesar de ter falhado em larga medida, tanto em cidades portuguesas como em várias cidades europeias.

Segundo a convidada, esta solução pode ser especialmente relevante para as gerações mais jovens, que atribuem maior importância ao acesso do que à propriedade, uma tendência facilitada pelas tecnologias atuais. O próprio modelo de car-sharing poderá também evoluir para uma solução algo diferente, como Susana Castelo explicou na conversa disponível acima.

Encontro marcado no próximo Auto Talks

Esta edição do Auto Talks abordou ainda outros temas da mobilidade urbana, incluindo o papel dos transportes públicos ferroviários e rodoviários, bem como a necessidade de reforçar a respetiva cobertura territorial. A convidada defendeu também a devolução do espaço urbano às pessoas.

Razões não faltam, por isso, para ver ou ouvir o mais recente Auto Talks, o novo formato editorial da Razão Automóvel, nas plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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