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Obras do metrobus no Porto e Matosinhos agravam o trânsito

Homem de costas a caminhar numa ciclovia com carros estacionados e obra em zona urbana.
Neste artigo
  1. Mudança de hábitos
  2. Carro mais longe
  3. Linhas

As empreitadas de construção das linhas de metrobus no Porto e em Matosinhos estão a complicar a vida aos automobilistas, intensificando o tráfego nas duas cidades. Os trabalhos também eliminaram um número considerável de lugares de estacionamento, criando dificuldades adicionais para residentes e trabalhadores nas proximidades das zonas intervencionadas.

Neste momento, os maiores problemas de circulação verificam-se em Matosinhos e Leça da Palmeira, onde as alterações impostas pelas obras do metrobus têm provocado extensas filas. À medida que a tarde decorre, a acumulação de veículos torna-se mais evidente.

A Câmara de Matosinhos reconhece que a obra afeta mais a circulação durante as horas de ponta, mas defende que o novo transporte, com entrada em funcionamento prevista para o primeiro semestre de 2027, ajudará a reduzir o número de automóveis. A autarquia considera ainda que esta mudança poderá reforçar a segurança rodoviária. Até lá, os condutores terão de lidar com perturbações na rede viária, particularmente sentidas nas imediações do Porto de Leixões, na Avenida D. Afonso Henriques e junto à Exponor, entre outros locais.

A entrada em Matosinhos pela área do Edifício Transparente está igualmente muito condicionada pelos trabalhos da segunda fase do metrobus do Porto, que fará a ligação entre a Avenida do Marechal Gomes da Costa e a Anémona. Questionada pelo JN, a Câmara do Porto encaminhou os esclarecimentos para a Metro, entidade responsável pela empreitada. A empresa sustenta que a intervenção na estrada não tem causado um impacto relevante no trânsito da cidade e garante que, depois de concluída, a obra não implicará a perda de lugares de estacionamento. Para já, a intervenção no viaduto junto ao Transparente constitui o principal ponto de perturbação.

Miriam Silva trabalha há quatro anos naquele edifício e acompanhou de perto as mudanças desde o início da empreitada. "Em termos de trânsito, a diferença é muito grande. A estrada perdeu duas faixas e essa redução impacta principalmente nas horas de ponta. Nessa altura, o trânsito chega a ser caótico", explicou.

Mudança de hábitos

Ainda assim, Miriam não teve de modificar a sua rotina para chegar pontualmente ao trabalho. "Só tenho de evitar a Avenida da Boavista, mas há quem tenha mesmo de mudar os hábitos, seja no percurso que faz ou por ter que acordar mais cedo", assinalou, acrescentando que não usa transportes públicos por não ter uma ligação conveniente entre casa e o trabalho. No entanto, Miriam adianta que é "das poucas pessoas do escritório que viajam de carro no dia a dia".

Para os utilizadores de automóvel, há ainda a questão do estacionamento, uma vez que as obras do metrobus ocupam espaços anteriormente destinados a esse fim. "Agora, tenho de sair ainda mais cedo de casa. O gasóleo está caro e, para evitar andar aqui às voltas a tentar arranjar estacionamento, deixo o carro a mais de 500 metros ou um quilómetro de distância. No início do dia, custa menos porque estamos frescos, mas quando vamos embora já é mais difícil", contou outro funcionário do Edifício Transparente que preferiu não se identificar, admitindo que com estes constrangimentos vai perdendo "horas, euros e... paciência".

Carro mais longe

No Café Internacional, perto da estação de metro do Mercado, António Andrade afirma que as obras do metrobus naquela área estão a prejudicar a atividade comercial. "Além do engarrafamento constante, a rua perdeu o estacionamento. As pessoas passaram a deixar o carro mais longe do café e já não param aqui. Apanham o metro e vão embora, o que tem sido um problema para mim e para os negócios aqui ao redor", disse António Andrade, proprietário do estabelecimento.

"Acredito que as pessoas que vão utilizar o metrobus vejam isto como benéfico. Agora, o comércio da zona não. As medidas de trânsito deveriam ter em atenção quem vem de fora do concelho. Quem vive em Matosinhos consegue, em muitos casos, deslocar-se a pé, mas quem vem de fora precisa de transportes públicos fiáveis", acrescentou.

A Câmara de Matosinhos admite os constrangimentos provocados pela construção do metrobus, mas sublinha que os benefícios após a conclusão serão relevantes para o concelho, com "um grande impacto no concelho, resultando da execução de novos 10 quilómetros de via, 11 estações, novos passeios, nova ciclovia, ordenação do estacionamento, 265 novas árvores e 1208 novos arbustos". A autarquia refere ainda que a empreitada sofreu atrasos devido às "condições climáticas adversas verificadas em Portugal entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026", mantendo a previsão de início da operação comercial no primeiro semestre de 2027.

Linhas

Porto
O metrobus do Porto já está em operação entre a Casa da Música e a Praça do Império. A segunda fase, atualmente em obra, estabelecerá a ligação entre o Pinheiro Manso e a Anémona. O percurso incluirá as estações Antunes Guimarães, Garcia de Orta, Nevogilde, Castelo do Queijo e Praça Cidade do Salvador (Anémona). A obra deverá ficar concluída durante o verão.

Matosinhos
A linha de metrobus de Matosinhos terá uma extensão de 9,75 quilómetros, incluindo 1,2 quilómetros no concelho da Maia, e contará com 11 estações: Mercado, Senhor de Matosinhos, Exponor, Veloso Salgado, MarShopping, Jomar, OPO City, Mário Brito, Aeroporto, Botica e Verdes. O investimento ascende a 23 milhões de euros.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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