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Audi activesphere concept: o crossover coupé que se transforma em pick-up

Carro elétrico Audi vermelho modelo ACTIV-SPH estacionado em ambiente moderno com posto de carregamento.
Neste artigo
  1. Um crossover «coupé» com vocação all road
  2. “active back”: traseira com configuração de pick-up
  3. Um habitáculo pensado em torno das pessoas
  4. Audi Dimensions: uma nova dimensão digital
  5. Confuso? Nem por isso…
  6. Autonomia acima de 600 km

A Audi revelou o activesphere concept, o quarto protótipo da família de modelos conceptuais sphere, através da qual a marca dos quatro anéis antecipa a sua visão para o futuro.

Após o roadster skysphere, a berlina grandsphere space e o monovolume urbansphere space, a Audi apresenta agora um crossover «coupé» de quatro portas capaz de se converter numa pick-up.

Além disso, estreia uma abordagem inteiramente nova ao habitáculo, focada nas experiências sensoriais a bordo. Para tal, recorre a headsets tecnologicamente avançados que sobrepõem informação digital e elementos 3D interativos à visão do ambiente real, explorando as possibilidades da realidade virtual e aumentada.

Um crossover «coupé» com vocação all road

Comecemos pelo design, afinal é o primeiro aspeto a captar a atenção. O activesphere concept combina traços de várias tipologias: junta a silhueta de um coupé de quatro portas a pormenores de inspiração aventureira, próprios de um SUV.

Com 4,98 m de comprimento e uma distância entre eixos de 2,97 m, o activesphere concept assume uma aparência muito esguia, apesar dos seus 1,6 m de altura. Os eixos estão posicionados muito perto das extremidades da carroçaria, um pormenor que contribui para a presença robusta deste protótipo.

A distância ao solo de 208 mm - que pode crescer mais 40 mm com a suspensão pneumática -, as cavas das rodas pronunciadas e as imponentes jantes de 22” acentuam igualmente esta personalidade. As suas aptidões fora de estrada revelam-se também nos ângulos: 18,9º de ataque e 28,1º de saída.

Contudo, o principal elemento diferenciador do design está «escondido» na traseira. Embora a silhueta de coupé esteja combinada com uma carroçaria de crossover - uma fórmula que a Audi designa por Sportback, como no Q8 e-tron Sportback -, o Audi activesphere estreia o conceito “active back”.

“active back”: traseira com configuração de pick-up

A zona traseira do activesphere foi concebida para utilizadores com um estilo de vida ativo, permitindo transportar equipamento desportivo de maiores dimensões sem comprometer excessivamente a silhueta do modelo.

Para o conseguir, a secção inferior da traseira abre para baixo e prolonga a área de carga. Em simultâneo, o vidro traseiro desliza sobre o tejadilho, criando uma ampla plataforma de transporte que pode, por exemplo, receber suportes para bicicletas.

As superfícies laterais da traseira - os pilares C - permanecem em posição para manter a silhueta dinâmica do activesphere, enquanto uma antepara motorizada pode ser posicionada por detrás dos bancos traseiros, a fim de isolar o habitáculo dos elementos exteriores.

No tejadilho há ainda um suporte para esquis totalmente integrado, que apenas se prolonga quando necessário. Durante o restante tempo, permanece praticamente invisível no arco do tejadilho, permitindo transportar esquis em segurança.

Um habitáculo pensado em torno das pessoas

Se o exterior do activesphere surpreende, o mesmo acontece no interior. Todos os modelos “Sphere” seguem a mesma premissa: o habitáculo foi sempre o ponto de partida. Primeiro é pensado e desenvolvido o espaço interior; só depois são definidas a configuração, as proporções e as linhas exteriores.

As grandes portas de abertura oposta - sem pilar B - dão acesso a um habitáculo minimalista, amplo e particularmente acolhedor. O contraste entre os tons preto, cinzento e vermelho destaca-se de imediato.

Também os quatro bancos individuais chamam a atenção. Estão suspensos como extensões da consola central, elevada e contínua, e foram concebidos como três conchas circunferenciais independentes - assento, encosto e superfícies dos ombros. O resultado é uma forte sensação de leveza, quase como se os bancos flutuassem.

Este protótipo distingue-se ainda pelas transformações que pode adotar: durante a condução autónoma, o tabliê, o volante e os pedais recolhem, ficando ocultos.

Desta forma, é libertado mais espaço para os ocupantes dianteiros, até à extremidade frontal do concept. Aqui, a Singleframe, a tradicional grelha da Audi, deixa de desempenhar essa função e passa a ser uma superfície transparente, que permite inclusivamente ver do interior para o exterior.

O tabliê também funciona como uma soundbar (através das ripas de madeira), além de esconder uma saída de ar inteligente, a toda a largura, em qualquer uma das duas posições que pode assumir.

Quando o condutor pretende retomar o comando do Audi activesphere, o volante, os pedais e o tabliê regressam, deslizando a partir da posição em que estavam recolhidos.

Audi Dimensions: uma nova dimensão digital

Pela primeira vez, a Audi pretende unir a realidade física e a digital através de uma solução denominada Audi Dimensions.

Com quatro headsets de realidade mista - essencialmente óculos altamente sofisticados -, arrumados numa pequena consola no tejadilho e disponíveis para o condutor e os ocupantes, é possível aceder a um ecossistema digital que apresenta conteúdos virtuais tridimensionais com referência espacial ao mundo real.

Segundo a Audi, a precisão ótica deste sistema é “sem precedentes”. Além de mostrar informações, como mapas, permite apresentar superfícies de controlo e displays - naturalmente invisíveis sem os óculos -, que podem ser acionados através do toque e de gestos.

Confuso? Nem por isso…

Numa primeira etapa, o utilizador visualiza apenas conteúdos virtuais de caráter informativo. Só quando fixa a atenção numa informação, demonstrando interesse, é que o sistema passa a apresentar dados mais detalhados e se torna interativo e controlável por gestos.

As capacidades desta solução não terminam aí. Em condução fora de estrada, por exemplo, o sistema poderá projetar sobre a paisagem real gráficos topográficos 3D de alta resolução, bem como informação relativa à navegação ou à condução.

Apesar de existirem quatro óculos a bordo, cada um funciona de forma independente. Assim, o condutor pode consultar dados de condução ou de navegação enquanto os restantes ocupantes exploram o respetivo catálogo musical ou regulam individualmente o ar condicionado da sua zona do automóvel.

Ao chegar ao destino, os passageiros podem levar os óculos para fora do veículo e utilizá-los enquanto descem uma pista de esqui ou percorrem um trilho de bicicleta.

Autonomia acima de 600 km

Na origem de todo este conceito está a plataforma Premium Platform Electric (PPE), desenvolvida conjuntamente pela Audi e pela Porsche. Esta arquitetura será utilizada pela primeira vez na segunda geração do Porsche Macan, exclusivamente elétrica, em 2024.

Uma bateria com 100 kWh de capacidade alimenta dois motores elétricos, um por eixo, assegurando tração às… quattro rodas. A potência combinada é de 325 kW (442 cv), enquanto o binário máximo atinge 720 Nm, valores que permitem ao activesphere anunciar uma autonomia superior a 600 km.

Esta arquitetura também permite integrar um sistema elétrico de 800 V. Assim, o concept poderá carregar a uma potência de até 270 kW: em apenas 10 minutos, será possível recuperar mais de 300 km de autonomia e, em menos de 25 minutos, carregar a bateria de 5% a 80%.

Naturalmente, aquilo que a Audi revela no activesphere terá influência nos seus futuros modelos de produção. Não se trata apenas de um exercício de design: as tecnologias apresentadas neste concept poderão chegar aos modelos elétricos de próxima geração da Audi.

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Miguel Ângelo Carvalho

Miguel Ângelo Carvalho é especialista em materiais de construção e revestimentos cerâmicos, com mais de 15 anos de experiência no aconselhamento técnico para projetos residenciais e comerciais. Interessado em soluções duráveis, eficientes e esteticamente distintivas, acompanha de perto as tendências em tijolos, telhas, pavimentos e revestimentos para arquitetura e reabilitação.

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