O mais pequeno código QR do mundo é tão minúsculo que um telemóvel precisaria de um microscópio eletrónico para o conseguir ler.
Este código de barras matricial ocupa apenas 1,977 micrómetros quadrados, uma área inferior à de algumas células bacterianas ou partículas poluentes presentes no ar.
O recorde do menor código QR do mundo
Os sete cientistas responsáveis pela sua criação receberam o Guinness World Record em 3 de dezembro de 2025.
A criação tem aproximadamente um terço das dimensões do anterior detentor do recorde mundial.
A equipa foi liderada por investigadores da Universidade Técnica de Viena (TU Wien), na Áustria, em colaboração com a Cerabyte, uma empresa especializada em tecnologia de armazenamento de dados.
"A estrutura que criámos é tão fina que não pode ser observada de todo com microscópios óticos", afirma Paul Mayrhofer, cientista de materiais da TU Wien.
"Mas essa nem sequer é a parte verdadeiramente notável. Atualmente, estruturas à escala micrométrica não são invulgares - é até possível fabricar padrões compostos por átomos individuais. Contudo, isso, por si só, não produz um código estável e legível."
Apesar das suas dimensões diminutas, o código QR (Quick Response) funcionou quando Mayrhofer e os seus colegas o testaram.
A leitura necessária para o Guinness World Record foi realizada perante testemunhas e confirmada pela Universidade de Viena, enquanto entidade verificadora independente.
Cerâmica e feixes de iões para gravar dados
O segredo para produzir um código QR tão pequeno consistiu em imprimi-lo numa película cerâmica fina, concebida para revestir ferramentas de corte de alto desempenho. Recorrendo a feixes de iões focados neste material, a equipa gravou o código QR com píxeis de apenas 49 nanómetros.
Esta dimensão é dez vezes inferior ao comprimento de onda da luz visível, pelo que o código é inteiramente invisível ao olho humano.
"Com meios de armazenamento cerâmicos, seguimos uma abordagem semelhante à das culturas antigas, cujas inscrições ainda conseguimos ler hoje", explica Alexander Kirnbauer, cientista de materiais da TU Wien.
"Registamos informação em materiais estáveis e inertes, capazes de resistir à passagem do tempo e de permanecer totalmente acessíveis às gerações futuras."
A equipa responsável pelo código QR espera agora desenvolver outras formas minúsculas de armazenamento de dados em cerâmica, altamente duradouras e potencialmente com uma pegada de carbono menor do que as soluções atuais de armazenamento.
Kirnbauer, Mayrhofer e os colegas estimam que o seu método poderá armazenar mais de 2 terabytes de dados numa única folha A4.
Uma solução potencialmente minúscula para um problema de grandes dimensões.






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